BRUNO
Alguém no Facebook escrevia que tinha ido ver o filme "Bruno" e regressado a casa chocado. Eu também não sou um apreciador deste género de cinema, mas se as coisas que ali acontecem ainda chocam gente "informada", então, é porque faz falta.
É a velha questão do exagero para que a hipocrisia se estilhace. É um estilo.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
14 de julho de 2009
PARA NÃO FALAR MAIS DE POLÍTICA
Nos últimos tempos dou por mim envolvido a tomar partido pelos partidos. Quem me conhece sabe do meu cepticismo sobre os políticos em geral e sobre as cortes que os assediam por favores em particular.
Mas a perspectiva para alguém ligada à Cultura de ter Cavaco Silva na presidência, Ferreira Leite no Governo e Santana na Cãmara de Lisboa, é mais do que um pesadelo. É ter de repetir o que já fez no início da década de 90: emigrar por não conseguir respirar no meio de tanta patetice e novo-riquismo.
Por isso, vou continuar a tomar partido.
Até Outubro, apenas.
Nos últimos tempos dou por mim envolvido a tomar partido pelos partidos. Quem me conhece sabe do meu cepticismo sobre os políticos em geral e sobre as cortes que os assediam por favores em particular.
Mas a perspectiva para alguém ligada à Cultura de ter Cavaco Silva na presidência, Ferreira Leite no Governo e Santana na Cãmara de Lisboa, é mais do que um pesadelo. É ter de repetir o que já fez no início da década de 90: emigrar por não conseguir respirar no meio de tanta patetice e novo-riquismo.
Por isso, vou continuar a tomar partido.
Até Outubro, apenas.
7 de julho de 2009
A GUERRA SANTA DO BCP
Segundo os jornais, os advogados do ex-administradores do BCP acusados de diversas falcatruas no valor de pelo menos 600 milhões de euros, vão esmiuçar os vícios de forma da acusação para impedir os seus clientes de perder tempo a ir a julgamento (obviamente que nunca seriam condenados em Portugal, duuuhhhh). De um lado, os contribuintes representados pelo Ministério Público, do outro arguidos que viajam de jacto e têm contas de dezenas ou centenas de milhões de euros. Adivinhem quem vai ganhar...
Segundo os jornais, os advogados do ex-administradores do BCP acusados de diversas falcatruas no valor de pelo menos 600 milhões de euros, vão esmiuçar os vícios de forma da acusação para impedir os seus clientes de perder tempo a ir a julgamento (obviamente que nunca seriam condenados em Portugal, duuuhhhh). De um lado, os contribuintes representados pelo Ministério Público, do outro arguidos que viajam de jacto e têm contas de dezenas ou centenas de milhões de euros. Adivinhem quem vai ganhar...
6 de julho de 2009
SONDAGENS
Parece mentira, mas as sondagens dão quase o mesmo número de intenções de voto a Santana Lopes e António Costa. Ao que só fez asneiras e a ao que pegou no lixo que o outro deixou e tentou varrer o melhor que foi capaz nestes dois anos.
Os tugas, enquanto povo, já se sabe que não aprendem com os erros. Mas, aparentemente, os habitantes de Lisboa, pelo simples facto de lhes passar pela cabeça ir votar numa criatura que deu milhares de provas de incompetência e disparate, ainda estão piores.
Sugeria alguma mobilização para não deixar subir (ao que ele vê como) trono, mais uma vez. Relembro que a fome dos santanetes é grande e que perante a hipótese de apanhar descansados tachos na cãmara, não hesitarão em arregaçar as mangas à riscas...
Parece mentira, mas as sondagens dão quase o mesmo número de intenções de voto a Santana Lopes e António Costa. Ao que só fez asneiras e a ao que pegou no lixo que o outro deixou e tentou varrer o melhor que foi capaz nestes dois anos.
Os tugas, enquanto povo, já se sabe que não aprendem com os erros. Mas, aparentemente, os habitantes de Lisboa, pelo simples facto de lhes passar pela cabeça ir votar numa criatura que deu milhares de provas de incompetência e disparate, ainda estão piores.
Sugeria alguma mobilização para não deixar subir (ao que ele vê como) trono, mais uma vez. Relembro que a fome dos santanetes é grande e que perante a hipótese de apanhar descansados tachos na cãmara, não hesitarão em arregaçar as mangas à riscas...
2 de julho de 2009
DIREITO DE ANTENA
Como estamos em época de pré-campanha eleitoral para autárquicas e legislativas (Deus te ajude, Santana!) e não quero ser acusado de parcialidade, aqui publico este vídeo, algo datado, mas uma justa homenagem dos Contemporâneos ao esforço cíclico dos militantes do psd. Uma sentida homenagem, 2 em 1, ao partido e ao Michael Jackson que Deus tem (e Ele que ajude, lá de ciiiima, Santana!... Ah, espera, já tinha dito isto...)
Como estamos em época de pré-campanha eleitoral para autárquicas e legislativas (Deus te ajude, Santana!) e não quero ser acusado de parcialidade, aqui publico este vídeo, algo datado, mas uma justa homenagem dos Contemporâneos ao esforço cíclico dos militantes do psd. Uma sentida homenagem, 2 em 1, ao partido e ao Michael Jackson que Deus tem (e Ele que ajude, lá de ciiiima, Santana!... Ah, espera, já tinha dito isto...)
1 de julho de 2009
SANTANA APRESENTA HOJE (OUTRA VEZ) A SUA CANDIDATURA À CÂMARA
Agora que se lembrou de fazer as contas para descobrir que o buraco de milhões que deixou, afinal, não tinha sido ele a começar a cavá-lo (demorou um bocadinho, mas já se sabe que entre eventos sociais e ir à carpintaria arranjar a cara de pau, o tempo foge...) e que já todos os portugueses esqueceram a sua actuação feita à pala do Sporting, do seu gosto pela música de cordas de Chopin e de ter sido o primeiro chefe de governo a ser despedido desde o 25 de Abril, está de volta.
Pela minha parte concordo. Acho que há muito boa gente, entre a Lapa e as vivendas do Parque das Nações que se revêem na sua candidatura.
Infelizmente, esta notícia pode provocar outro tipo de reacções a nível internacional...
Agora que se lembrou de fazer as contas para descobrir que o buraco de milhões que deixou, afinal, não tinha sido ele a começar a cavá-lo (demorou um bocadinho, mas já se sabe que entre eventos sociais e ir à carpintaria arranjar a cara de pau, o tempo foge...) e que já todos os portugueses esqueceram a sua actuação feita à pala do Sporting, do seu gosto pela música de cordas de Chopin e de ter sido o primeiro chefe de governo a ser despedido desde o 25 de Abril, está de volta.
Pela minha parte concordo. Acho que há muito boa gente, entre a Lapa e as vivendas do Parque das Nações que se revêem na sua candidatura.
Infelizmente, esta notícia pode provocar outro tipo de reacções a nível internacional...
30 de junho de 2009
ATÉ ESCREVI NAS COSTAS DE UM PAPEL
...para não me esquecer, de tal maneira a frase de um dos responsáveis da comissão de trabalhadores da fábrica de Palmela me pareceu certeira:
"Os sindicalistas tentam não perder tudo o que conseguiram com o PREC... e o patronato quer recuperar tudo o que perdeu com o 25 de Abril. Por isso não se entendem"
Onde se prova que numa frase se pode sintetizar os movimentos laborais em Portugal. Não sei como é que o senhor se chama, mas merecia uma placa num sítio público.
...para não me esquecer, de tal maneira a frase de um dos responsáveis da comissão de trabalhadores da fábrica de Palmela me pareceu certeira:
"Os sindicalistas tentam não perder tudo o que conseguiram com o PREC... e o patronato quer recuperar tudo o que perdeu com o 25 de Abril. Por isso não se entendem"
Onde se prova que numa frase se pode sintetizar os movimentos laborais em Portugal. Não sei como é que o senhor se chama, mas merecia uma placa num sítio público.
28 de junho de 2009
ENTRE O QUE SOU E O QUE ESCREVO
"Devias escrever coisas cómicas", dizem-me às vezes. E eu concordo. Gostava, até. Seria mais feliz enquanto o fizesse. O problema é que a gente não escreve o que quer. Dá voz a coisas que não são nossas, a pessoas que não existem neste mundo, mas ainda assim "são". Confiam em nós para repetirmos palavra por palavra o que nos sussurraram. Mesmo as coisas dramáticas e, frequentemente, desagradáveis.
Gostava mesmo de escrever romances só com coisas alegres. Suspeito, contudo, que o mundo das coisas invisíveis é capaz de ser mais sombrio e inquietante do que gostaríamos de admitir.
Escrevo o que posso. Mas, sim, gostava de me rir enquanto teclo.
"Devias escrever coisas cómicas", dizem-me às vezes. E eu concordo. Gostava, até. Seria mais feliz enquanto o fizesse. O problema é que a gente não escreve o que quer. Dá voz a coisas que não são nossas, a pessoas que não existem neste mundo, mas ainda assim "são". Confiam em nós para repetirmos palavra por palavra o que nos sussurraram. Mesmo as coisas dramáticas e, frequentemente, desagradáveis.
Gostava mesmo de escrever romances só com coisas alegres. Suspeito, contudo, que o mundo das coisas invisíveis é capaz de ser mais sombrio e inquietante do que gostaríamos de admitir.
Escrevo o que posso. Mas, sim, gostava de me rir enquanto teclo.
26 de junho de 2009
DE BARCELONA A BILBAO
1. Estava calor na cidade grande. Mas chega-se lá sem custo, deslizando pelo autocarro que nos deixa à porta do Hotel, ou quase, e depois a pé, de Metro.
Durante muito tempo achei que Barcelona tinha menos graça que Madrid. Era o único a pensar assim (tirando os madrilenos), mas persisti. A cidade era interessante, eu é que por esses dias era outro.

As ramblas, inevitáveis, a atrair turistas como ímans. A comê-los nos preços dos restaurantes e das carteiras que subitamente voam, também.
Por todo lado, Gaudí. As casas onduladas, os animais bizarros, estilhaçados a porcelana colorida.
Andar. Andar
2. Ninguém no seu juízo normal iria de propósito a Bilbao, não fosse o museu Guggenheim. Mas sem razão, como adiante se verá. E sim, vale a pena pela arquitectura do Gehry. Um bocadinho à semelhança do maluco de Barcelona, também aqui as formas são desafiadas. A titânio, claro, que ele é mais fino (por alguma razão atraiu um palhaço-presidente de câmara...). Perguntamo-nos quanto terá ele recebido por aquela obra. Muito, de certeza. Mas valeu a pena, por nos transmitir a constatação de que o homem pode pensar grande e sair-se bem.
No interior, as obras sucedem-se. Destaque para a instalação,em que colunas luminosas passam poemas em letras vermelhas que, por sua vez, se reflectem a azul ao fundo.Mas são tantas as coisas... É bom, visitar grandes museus de arte contemporânea (uma passagem rápida pelo Rainha Sofia, um dia depois, ajudou-me a verificar isso) para se perceber a diferença entre o talento e o bluff. O que é bom salta aos olhos, não interessa se foi feito agora mesmo ou há centenas de anos. Do meu ponto de vista, o contrário também.

Bilbao é sossegado como Braga ou Viseu. Sem os desvarios arquitectónicos da primeira, à vista, pelo menos. O museu de Belas-Artes tem uma boa colecção de pintura que justifica completamente a visita. E são simpáticos, com aquela bonomia da província nortenha que sabe bem. Recomenda-se.
1. Estava calor na cidade grande. Mas chega-se lá sem custo, deslizando pelo autocarro que nos deixa à porta do Hotel, ou quase, e depois a pé, de Metro.
Durante muito tempo achei que Barcelona tinha menos graça que Madrid. Era o único a pensar assim (tirando os madrilenos), mas persisti. A cidade era interessante, eu é que por esses dias era outro.

As ramblas, inevitáveis, a atrair turistas como ímans. A comê-los nos preços dos restaurantes e das carteiras que subitamente voam, também.
Por todo lado, Gaudí. As casas onduladas, os animais bizarros, estilhaçados a porcelana colorida.
Andar. Andar
2. Ninguém no seu juízo normal iria de propósito a Bilbao, não fosse o museu Guggenheim. Mas sem razão, como adiante se verá. E sim, vale a pena pela arquitectura do Gehry. Um bocadinho à semelhança do maluco de Barcelona, também aqui as formas são desafiadas. A titânio, claro, que ele é mais fino (por alguma razão atraiu um palhaço-presidente de câmara...). Perguntamo-nos quanto terá ele recebido por aquela obra. Muito, de certeza. Mas valeu a pena, por nos transmitir a constatação de que o homem pode pensar grande e sair-se bem.
No interior, as obras sucedem-se. Destaque para a instalação,em que colunas luminosas passam poemas em letras vermelhas que, por sua vez, se reflectem a azul ao fundo.Mas são tantas as coisas... É bom, visitar grandes museus de arte contemporânea (uma passagem rápida pelo Rainha Sofia, um dia depois, ajudou-me a verificar isso) para se perceber a diferença entre o talento e o bluff. O que é bom salta aos olhos, não interessa se foi feito agora mesmo ou há centenas de anos. Do meu ponto de vista, o contrário também.

Bilbao é sossegado como Braga ou Viseu. Sem os desvarios arquitectónicos da primeira, à vista, pelo menos. O museu de Belas-Artes tem uma boa colecção de pintura que justifica completamente a visita. E são simpáticos, com aquela bonomia da província nortenha que sabe bem. Recomenda-se.
19 de junho de 2009
DO IRÃO
A Pérsia é difícil de controlar. O pêlo na venta e a força imparável é anterior a Alexadre. Daí que os últimos 30 anos de ditadura não tenham sido fáceis de manter para o regime ultraconsevador dos barbudos. Fizeram as mulheres recuar séculos (ou tentaram), calaram todas as vozes não só que apontavam, mas que viviam na modernidade e por aí fora. Fizeram-no como todas as ditaduras, à força de raptos, prisões ilegais e tortura. Ler Persópolis, para entender melhor a coisa.
Entrevistado por uma mulher (bem-feito), na Sic, o vice dos negócios estrangeiros, que tinha vindo visitar a aldeia Tuga em busca de mais dinheiro (também vieste bater a boa porta, vieste...) lá foi respondendo à "incompreensão ocidental do seu povo, nos últimos 30 anos". Interrogado sobre a razão porque permitiam as autoridades que mulheres fossem lapidadas até à morte, o homem lá encolheu os ombros e referiu que os juízes locais "até davam indicações para que a sentença (dada por eles?) não fosse executada. Mas que "era um direito das famílias, por ser crime de honra...". Ficamos sem saber se ele pessoalmente estava de acordo, mas, de certeza, que não era coisa que o chateasse por aí além.
E há outros momentos de grande justiça, basta dar uma vista de olhos pela net...
É por tudo isso que os muitos milhares de manifestantes que arriscaram a vida nas ruas de Teerão significam muito mais do que possa parecer.
Ps: E não haverá um país que apedreje (vá lá, até que lhe venha a razão, pelo menos...) gordos estúpidos que contribuem para a opressão dos seus povos em nome do seu Deus particular?

(É este o pequeno detalhe democrático que não chateia o senhor)

(imagens da versão de "Will & Grace" no Irão)
A Pérsia é difícil de controlar. O pêlo na venta e a força imparável é anterior a Alexadre. Daí que os últimos 30 anos de ditadura não tenham sido fáceis de manter para o regime ultraconsevador dos barbudos. Fizeram as mulheres recuar séculos (ou tentaram), calaram todas as vozes não só que apontavam, mas que viviam na modernidade e por aí fora. Fizeram-no como todas as ditaduras, à força de raptos, prisões ilegais e tortura. Ler Persópolis, para entender melhor a coisa.
Entrevistado por uma mulher (bem-feito), na Sic, o vice dos negócios estrangeiros, que tinha vindo visitar a aldeia Tuga em busca de mais dinheiro (também vieste bater a boa porta, vieste...) lá foi respondendo à "incompreensão ocidental do seu povo, nos últimos 30 anos". Interrogado sobre a razão porque permitiam as autoridades que mulheres fossem lapidadas até à morte, o homem lá encolheu os ombros e referiu que os juízes locais "até davam indicações para que a sentença (dada por eles?) não fosse executada. Mas que "era um direito das famílias, por ser crime de honra...". Ficamos sem saber se ele pessoalmente estava de acordo, mas, de certeza, que não era coisa que o chateasse por aí além.
E há outros momentos de grande justiça, basta dar uma vista de olhos pela net...
É por tudo isso que os muitos milhares de manifestantes que arriscaram a vida nas ruas de Teerão significam muito mais do que possa parecer.
Ps: E não haverá um país que apedreje (vá lá, até que lhe venha a razão, pelo menos...) gordos estúpidos que contribuem para a opressão dos seus povos em nome do seu Deus particular?

(É este o pequeno detalhe democrático que não chateia o senhor)

(imagens da versão de "Will & Grace" no Irão)
18 de junho de 2009
BANCO DE PORTUGAL OU ALARVEIRA TEM DOIS SENTIDOS
O governador do Banco de Portugal veio, depois de levar porrada no parlamento pelo penteadinho do cds (o partido que mais virgens tem, nos homens, pelo menos, deduzo ser por isso que adora fazer "cara séria"...) veio prometer um novo rumo. Segundo ele, daqui para a frente vão começar a controlar os bancos de forma a que as falcatruas sejam menores. Para isso, vão... fazer o mesmo que o ano passado: verificar 10 bancos. Até já começaram a dizer quais. Assim, sempre dá tempo a que maquilhem as manobras com paraísos fiscais.
Sabemos que Vitor Constâncio é apenas o rosto que encima a pilha de incompetentes ali produzida pelos vários governos psd e ps. E que provavelmente estaria descansado, até agora, ao ir para casa todos os dias, no carro de alta cinlindrada, com motorista pago por nós, seguro de que mereceria os (creio) 17.000 euros mensais, além do subsídio de Natal e de férias no mesmo montante. Mas, não lhe passará pela cabeça que o seu indecoroso salário num país em que milhares de pessoas passam mal todos os meses, a ganhar menos do que o salário minimo, justificaria outra atitude?
Não há nada de pessoal nisto, mas um pingo de vergonha na cara, seguido de um pedido de demissão só lhe ficaria bem.
ps: claro que Sócrates tem razão ao admirar-se com a forma simpática com que os ex-barões do psd foram tratados pela mesma comissão de inquérito que agora se mostra tão "firme" no chatear de Constâncio. Deve ser por pensarem que só por acaso não são eles a estar ali com a careca à mostra.
O governador do Banco de Portugal veio, depois de levar porrada no parlamento pelo penteadinho do cds (o partido que mais virgens tem, nos homens, pelo menos, deduzo ser por isso que adora fazer "cara séria"...) veio prometer um novo rumo. Segundo ele, daqui para a frente vão começar a controlar os bancos de forma a que as falcatruas sejam menores. Para isso, vão... fazer o mesmo que o ano passado: verificar 10 bancos. Até já começaram a dizer quais. Assim, sempre dá tempo a que maquilhem as manobras com paraísos fiscais.
Sabemos que Vitor Constâncio é apenas o rosto que encima a pilha de incompetentes ali produzida pelos vários governos psd e ps. E que provavelmente estaria descansado, até agora, ao ir para casa todos os dias, no carro de alta cinlindrada, com motorista pago por nós, seguro de que mereceria os (creio) 17.000 euros mensais, além do subsídio de Natal e de férias no mesmo montante. Mas, não lhe passará pela cabeça que o seu indecoroso salário num país em que milhares de pessoas passam mal todos os meses, a ganhar menos do que o salário minimo, justificaria outra atitude?
Não há nada de pessoal nisto, mas um pingo de vergonha na cara, seguido de um pedido de demissão só lhe ficaria bem.
ps: claro que Sócrates tem razão ao admirar-se com a forma simpática com que os ex-barões do psd foram tratados pela mesma comissão de inquérito que agora se mostra tão "firme" no chatear de Constâncio. Deve ser por pensarem que só por acaso não são eles a estar ali com a careca à mostra.
15 de junho de 2009
RELEIO ESTA PASSAGEM DO ROMANCE...
"Foi nesse instante que se lembrou do que o pai costumava dizer quando voltava da caça: Os bichos andam por lá, mesmo se a gente não os vê. Sempre. Escondidos no meio das ervas, enfiados em tocas, emboscados no que podem. Por isso, só o que resta a um homem é pegar na cartucheira e no peso das coisas que carrega e meter-se ao campo. E são os animais que acabarão por se vir matar contra a espingarda."
...E é daí que que volto a escrever.
"Foi nesse instante que se lembrou do que o pai costumava dizer quando voltava da caça: Os bichos andam por lá, mesmo se a gente não os vê. Sempre. Escondidos no meio das ervas, enfiados em tocas, emboscados no que podem. Por isso, só o que resta a um homem é pegar na cartucheira e no peso das coisas que carrega e meter-se ao campo. E são os animais que acabarão por se vir matar contra a espingarda."
...E é daí que que volto a escrever.
12 de junho de 2009
ESTÁ CALOR...
O romance caminha lentamente por cima da mesa da sala. Volta e meia vou fazer alguma coisa que me distraia, que afaste o sono.Depois volto à escrita.
O dia passa lá fora. Penso que seria boa ideia ir à piscina, mas a inclinação da rua e a perspectiva de ter que desencantar o equipamento, algures, faz com que a coisa se vá adiando. Ponho personagens a comer no meio de campos secos, claro. Esperava-se o quê de um escritor ensonado de calor?
Gosto do Verão.
Não gosto do Verão.
O romance caminha lentamente por cima da mesa da sala. Volta e meia vou fazer alguma coisa que me distraia, que afaste o sono.Depois volto à escrita.
O dia passa lá fora. Penso que seria boa ideia ir à piscina, mas a inclinação da rua e a perspectiva de ter que desencantar o equipamento, algures, faz com que a coisa se vá adiando. Ponho personagens a comer no meio de campos secos, claro. Esperava-se o quê de um escritor ensonado de calor?
Gosto do Verão.
Não gosto do Verão.
8 de junho de 2009
ELEIÇÕES EM PORTUGAL
Há pessoas que se interrogam sobre a forma como foi possível fazer uma revolução (quase) sem sangue em Portugal, em 1974. E a resposta é relativamente simples:
somos um povo danado para a alegria e que nunca se convence da derrota!
Basta ver o contentamento dos partidos políticos, ontem, após os resultados: ganharam todos. Mesmo os que perderam. Há sempre uma coisa positiva ou negativa para dizer num país de faz-de-conta.
Foi bonito, até...
Há pessoas que se interrogam sobre a forma como foi possível fazer uma revolução (quase) sem sangue em Portugal, em 1974. E a resposta é relativamente simples:
somos um povo danado para a alegria e que nunca se convence da derrota!
Basta ver o contentamento dos partidos políticos, ontem, após os resultados: ganharam todos. Mesmo os que perderam. Há sempre uma coisa positiva ou negativa para dizer num país de faz-de-conta.
Foi bonito, até...
6 de junho de 2009
KUNG-FU
Lá morreu mais um herói televisivo da nossa infância longínqua, David Carradine, também conhecido como "Gafanhoto". O Sinal do Dragão (na versão portuguesa) era muito apreciada, e aumentou substancialmente o interesse pelas artes marciais, não mencionando brincadeiras entre os putos que acabavam, naturalmente, em porradaria mútua.
Morreu em Banguecoque, sufocado (embora, provavelmente, contente). Cada um vai como pode, desta para melhor. Mas esperava-se mais resistência do homem capaz de aguentar uma braseira de ferro com dragões entre os braços...
Ps: e onde se prova que até a televisão pode se premonitória.
Lá morreu mais um herói televisivo da nossa infância longínqua, David Carradine, também conhecido como "Gafanhoto". O Sinal do Dragão (na versão portuguesa) era muito apreciada, e aumentou substancialmente o interesse pelas artes marciais, não mencionando brincadeiras entre os putos que acabavam, naturalmente, em porradaria mútua.
Morreu em Banguecoque, sufocado (embora, provavelmente, contente). Cada um vai como pode, desta para melhor. Mas esperava-se mais resistência do homem capaz de aguentar uma braseira de ferro com dragões entre os braços...
Ps: e onde se prova que até a televisão pode se premonitória.
3 de junho de 2009

CEREJAS
Chegam-me das Beiras, deliciosas e autênticas, com aquela evidência que na cidade se extinguiu. Umas puxam as outras, a barriga é que padece. Não interessa. Chegam em sacos, vermelhas, com folhas verdes, irmãs mais velhas a assegurar que serão comidas com dignidade. Secam-se as irmãs, agarradas aos tronquinhos, enquanto elas dançam e se somem pelas nossas bocas abaixo...
NA CASA DE BANHO...
...leio no suplemento Ipsilon, sobre uma "revelação" do fado. Uma maravilhosa rapariga de 24 anos, blá, blá. Não a conheço, mas terão por certo razão: aos 24 anos tudo em nós é revelação. E, claro, nos breves momentos em que resplandecemos, inconscientes, senhores do mundo por um instante, atraímos à nossa volta toda a espécie de mariposas. Algumas escrevem em jornais.
Nós, os tugas, só admiramos a "revelação", a"surpresa/pedrada-no-charco", a novidade com prazo, em resumo. Quando as cantoras crescem e querem mostrar novas coisas, afinal já não são assim tão boas, nem tão interessantes. Os mesmos que lhes disseram que elas (e, frequentemente, as suas pernas - virtuais, claro) eram "sublimes", já passaram ao prato seguinte.
No fundo, não passamos de uns hippies de cidade a saltitar, ora deliciados ora a torcer a boquinha, por pomares de fruta verde.
Coitada da fadistinha. Coitada.
...leio no suplemento Ipsilon, sobre uma "revelação" do fado. Uma maravilhosa rapariga de 24 anos, blá, blá. Não a conheço, mas terão por certo razão: aos 24 anos tudo em nós é revelação. E, claro, nos breves momentos em que resplandecemos, inconscientes, senhores do mundo por um instante, atraímos à nossa volta toda a espécie de mariposas. Algumas escrevem em jornais.
Nós, os tugas, só admiramos a "revelação", a"surpresa/pedrada-no-charco", a novidade com prazo, em resumo. Quando as cantoras crescem e querem mostrar novas coisas, afinal já não são assim tão boas, nem tão interessantes. Os mesmos que lhes disseram que elas (e, frequentemente, as suas pernas - virtuais, claro) eram "sublimes", já passaram ao prato seguinte.
No fundo, não passamos de uns hippies de cidade a saltitar, ora deliciados ora a torcer a boquinha, por pomares de fruta verde.
Coitada da fadistinha. Coitada.
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